Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, junho 17, 2017

No fim do dia





Pode ser difícil de acreditar para quem viva uma vida muito diferente da minha mas, como é bom de ver, não teria interesse nenhum em estar para aqui a inventar. Uns dias ficciono, outros divago, outros divirto-me e outros digo apenas a pura verdade.

Dias longos, com múltiplos afazeres, os meus. Compras no supermercado ao fim do dia. Um carrego.

Agora ainda tenho carne a estufar para amanhã de manhã, antes da abalada, a picar e guardar. Já pus o despertador não vá deixar-me agora aqui dormir e aquilo ainda esturricar tudo. O meu marido, no sofá da outra parede, já dorme a sono solto. Depois já lá, in heaven, de tarde, faço arroz e com a carne picada faço um empadão para o jantar. Pincelo com gema de ovo, ponho ripas de bacon e levo ao forno. E acompanho com salada. Ainda tenho é que ver como hei-de fazer para mim.
Já ontem, dia de festa rija, festa de anos e grande animação (só crianças eram nove) -- mas não foi cá em casa, estava como convidada -- foi um abuso: comi de tudo, incluindo arroz doce, pudim e bolo de anos. E hoje não quis saber de elegâncias e também já comi batatas fritas. Portanto, a ver se durante o fim de semana consigo não tocar em nada dessas coisas (batatas, arroz, massa ou pão). Nem em doces. Portanto, a ver se não me esqueço de levar feijão verde e courgettes para acompanhar o peixe do almoço e a carne do jantar. Uma seca, isto. Está a saber-me lindamente já vestir o 40 ou o M, blusas mais justinhas, sainhas e etc, mas caraças, que disciplinada tenho que ser (e logo eu que sou completamente avessa a sacrifícios).
Bem. Dizia que vou levar a carne já cozinhada e picada. Se não levo estas coisas mais demoradas já adiantadas, lá é quase impossível. Sempre que o pessoal se junta todo, é tanta a gente, tanto o reboliço, o entra e sai e a necessidade de prestar alguma atenção aos mais pequenos que não mais será possível estar descansada na cozinha (ou em qualquer outro lugar). Lá, só o que for rápido, simples, quase imediato. 

O almoço, por exemplo, pode ser feito lá porque é rápido.

Seja como for, a largada vai ter que ser cedo para dar tempo a abrir, lá, a casa, para arrumar as coisas no frigorífico e ter tudo minimamente organizado antes que comecem a chegar. Como sempre, iremos carregados que nem os pretos da Casa Africana (que nunca cheguei a ver mas que os havia consta que os havia) e isto, claro está, sem desprimor para os pretos em geral. Parece que é sina nossa, andar a carregar coisas de um lado para o outro.

Oferecem-se para levar 'os morfos' mas eu não quero, prefiro assim, não me oriento com 'morfos' alheios. De resto, apesar de chegar a esta hora meio a dormir, a verdade é que gosto de ter a casa cheia e de ser eu a organizar e confeccionar o catering. Dizem que é coisa de caranguejos.

Mas, portanto, é isto -- durante o dia, o trabalho que não abranda e, à noite, o que vos conto (e ainda por cima com este calor de ananases). Chego aqui à sala a esta hora e dá-me uma soneira desgraçada. As vezes que eu agora já aqui me passei para o lado de lá. Sono, sono.

À hora de almoço, para ver se me refrescava, fui a um lugar fresquinho de onde vim com uns recuerdos e com uma vontade de chegar a casa mais cedo para lhes dar uma vista de olhos com algum vagar. Impossível. 

E isto já para não falar de um telefonema para a minha mãe que começou comigo a entrar no elevador e eu a dizer que ia ficar sem rede e ela, 'o quê? não ouço nada' até que a chamada caíu, continuou comigo a entrar no supermercado e eu a dizer que ia ficar sem rede e ela 'o quê? Diz lá outra vez, estou a ouvir aos soluços' e, quando voltei a ligar, já eu no parque de estacionamento, estafada, bloqueia-se-me o diabo do telefone -- que inteligência, volta e meio, ele tem pouca. Tive que desligá-lo completamente, voltar a ligar, lembrar-me de qual o pin, e ela: 'então? mas o que é que está a acontecer que não consigo perceber nada do que dizes...?'. Enfim.

Bem. O despertador está a tocar (para isto, ao menos, o telemóvel ainda serve) e vou à cozinha desligar o fogão.

A ver se, quando regressar, consigo ter esperteza para continuar o meu folhetim.


Portanto, talvez até já. Ah, sim, a ficha técnica disto aqui acima: as fotografias provêm do National Geographic e Tinsley Ellis interpreta Early In The Morning.

E ainda estou em dívida para com a minha filha que anda a querer que lhe mande fotografias do fim de semana passado e da festa de anos mas ainda não fai ser hoje, senão é que o meu folhetim perde a embalagem. Talvez amanhã faça isso, ela própria. Se estiver muito, muito calor, vai estar bom é dentro de casa e assim escolhe ela as que quer. São para aí umas trezentas fotografias e ver uma por uma é uma seca do além. Gosto é de fazer fotografias, não de escolher. É como escrever, gosto é de escrever. Agora organizar ou catalogar está quieto...

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Comentário pós-post escrito entre preparativos a 100 a hora

Ontem à noite já não consegui acabar o dito capítulo do folhetim. Adormecia de palavra em palavra. Portanto, talvez hoje à noitinha consiga deitar mãos à coisa.

Até lá, portanto.

Tenham, meus Caros Leitores um sábado muito bom.

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