Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, janeiro 22, 2017

Emily Ratajkowski



Emily Ratajkowski tem mais de 10 milhões de seguidores no Instagram e é um símbolo sexual dos tempos que correm. Mas, leio, quer que a olhemos para além do seu corpo. Por exemplo, é activista e as redes sociais onde está (e está em todas) mostram-na nesse comprimento de onda.



Ou seja, os veículos que Emily usa para se promover, acentuam essa sua atenção: o que lá se vê tem, segundo ela, pouco corpo e muito intelecto.

O seu site pessoal que dá pelo nome de emrata é disso um bom exemplo. 

Idem o tweeter: Emily Ratajkowski (@emrata) | Twitter



Idem o Instagram: https://www.instagram.com/emrata/


Agora uma coisa é certa: o filme feito para a Vogue espanhola tem graça.




E este aqui abaixo também.

Emily Ratajkowski Walk Around In Lingerie On NYC Streets




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Stephen Colbert -- So Here We Are: Donald Trump Is Officially The President


Trump e a sua big gravata

Kellyanne Conway, uma das mulheres influentes junto de Trump
com uma toilette muito bonita para a tomada de posse


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Moda para Homem
- segundo a Vogue francesa


Escusado será dizer que prefiro quem não andar à moda. Não sei se há homens normais, com a cabeça no sítio, que gostem de se aperaltar desta forma -- mas tenho dúvidas. 

De todos os exemplares que aqui figuram só há um que me agrada -- e está ali por acaso. É o senhor grisalho da esquerda da última fotografia. os outros, coitados.

A moda de rua segundo Haider Ackermann


Brincos, piercings, colares - a moda da bijuteria a chegar aos homens

Comme des Garçons

Parka tipo Pneu Michelin


O que dizem as mulheres que se levantam para gritar os seus direitos,
sejam elas brancas, pretas, mestiças, católicas, muçulmanas, nascidas onde vivem ou num outro país


Bem podem alguns dos meus Leitores chamar-me a atenção para os malefícios da era Obama, bem podem falar-me de cestos no alto dos mastros. Não me demovem. A cada momento avalio o menor dos males e acho que só quem não quer ver é que não vê que os Estados Unidos começaram a andar perigosamente para trás. Os Estados Unidos não são o mundo - é verdade. Mas são um dos mais potentes motores do mundo. 

Por isso, lamento que Leitores meus não vejam o perigo que é ter um estafermo como Donald Trump à frente dos EUA.

As mulheres do mundo manifestaram-se e ainda bem. É bom que mostrem que, sempre que é preciso enfrentar o perigo, as mulheres estão na linha da frente.

Transcrevo:

On January 21, 2017, an estimated 500,000 women in pink hats gathered at the Women's March in Washington D.C. for the largest public rally for women's right in recent history. The historic event kicked off at 10 a.m. on Independence Avenue SW and 3rd Street with about three hours of speakers and musical performances. The lineup included a bevy of inspiring women, including celebrities like America Ferrera, Ashley Judd, and Scarlett Johansson, President of Planned Parenthood Cecile Richards, civil rights activist Angela Davis, ELLE's Editor-at-Large, Melissa Harris-Perry, filmmaker Michael Moore, and many other notable activists for women's rights, civil rights, and LGBTQ rights.

Ashely Judd delivered one of the many passionate speeches, which, she said, were the words of a 19-year-old from Tennessee. She invoked the term "nasty woman" again and again, a reference to the label Donald Trump gave Hillary Clinton during their third presidential debate — a term that Clinton supporters embraced.


Watch Judd's speech below:

Ashley Judd FULL Speech at "Women's March" In Washington DC ‘I am a nasty woman’



But the most moving keynote speaker was the legendary feminist icon Gloria Steinem, who delivered a rousing speech that will no doubt go down in history.

Watch Steinem's incredible speech below:

Gloria Steinem RIPS Mentally Unstable Donald Trump Women's March Washington Dc FULL Speech 1/21/17


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sábado, janeiro 21, 2017

Mr. Trump, Day One: a confirmação.
Donald Trump, o novo Presidente dos United States, é um velhaco.
[Qual a tradução correcta para isso: rogue, crook, cheater]?



Vi agora na televisão. Uma vergonha. As bestas, um pouco por todo o lado, a chegarem ao poder. Parecem aqueles bichos nojentos que se alimentam da carne viva de outros animais. Há qualquer coisa de asqueroso naquele anormal.

A forma como ele falou dos tempos de governação Obama... Só me ocorre uma palavra que nunca uso. E, no entanto, é a palavra que agora me ocorre. Um javardo, aquele Trump. E como ele descreveu os Estados Unidos...? Inventou, abandalhou, achincalhou, reescreveu a realidade para se ajustar à sua conversa de vendedor de banha da cobra. 


Às tantas, fico sem saper se todas as aldrabices que para ali enunciou resultam de ser um trapaceiro patológico ou se aquele arrazoado não é senão ignorância pura e dura -- mas daquela ignorância perigosa em que o ignorante não percebe que é ignorante e decreta que o mundo é como a sua vista curta o vê.

Na véspera, um porta-voz tinha dito que o discurso de inauguração de Donald Trump seria "pessoal" e "filosófico". Veja-se bem o que aquelas alimárias entendem por 'filosófico'. Nem dá para acreditar. O que é que aquelas trapalhices soezes* têm a ver com a realidade e como é que isso pode ser a base para um trabalho honesto?

Faz-me lembrar um colega que tive. Devido a protecções que agora aqui não vêm ao caso, o sujeitinho, que era um burro encartado e um calão de primeira, foi progredindo até chegar a um lugar de topo. Ao fim de anos a trabalhar naquela empresa, pasmávamos com o desconhecimento que revelavava a propósito de tudo. O grave é que, incapaz de fazer o que quer que fosse, contratava consultores para tudo e mais alguma coisa. E, ao briefar os consultores, transmitia-lhes que naquela empresa ninguém sabia nada, tudo funcionava mal. Mais grave ainda, para mostrar serviço (e sendo o burro que era), não se ensaiava nada de dizer, mesmo em público, que tinha encontrado uma realidade caótica, em que tudo se fazia mal e que tinha sido ele que tinha dado por isso e ali estava para pôr as coisas no são.

Os outros ouviam-no siderados. Contudo, por pudor, nenhum de nós foi capaz de, com todas as letras, lhe dizer que se tratasse, que se calasse, que parasse de dizer disparates. Muitas vezes tentei dizer-lhe isso, 'Olhe lá, isso não é bem assim; aliás, não é nada assim'. Com aquela arrogância própria dos burros que misturam a indigência mental com a alarvidade, sorria, com arzinho superior 'Olhe que é, olhe que é. Mas, pronto, a sua reacção é natural. Mas temos que ter a mente aberta, não sermos reactivos face à mudança'. Muito tive eu que me conter para não o mandar para algum sítio feio. Mas as pessoas que têm um sentido de ética têm dificuldade em lidar com biltres.

A família Trump
(O filho mais novo, de facto, muito alheado de tudo)

Se o Trump, é estúpido, burro e alarve e desconhece a realidade ou se é um perigoso trafulha e um narcisista tresloucado, isso ainda não sei.


Mas sei que uma besta daquelas à frente dos Estados Unidos é um murro no estômago de quem respeita e deseja a liberdade e a democracia. E é um risco enorme. Para os Estados Unidos e para o mundo.


Um mundo na mão de velhacos é um lugar muito perigoso.

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Uma palavra para a coragem e dignidade do casal Obama. Eu não conseguiria aguentar tanto ultraje. Certo que se apoiam um no outro e daí lhes vem parte da força. Mas ainda assim, é preciso um grande poder de encaize para ouvir tanta ofensa e conseguir engolir em seco e continuar sorrindo.

Michelle e Obama, ternura até ao último momento desta ingrata caminhada:
Obama apoiando Michelle ou tentando encontrar na mão dela o chão que devia sentir estar a faltar-lhe


That hand squeeze was not an empty gesture. It was not a political move. It was not for the crowds, or for the press, or for the TV stations. It was Barack saying, "We did this together. Now let's go home."


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Entretanto:

FACT-CHECKING DONALD TRUMP’S DYSTOPIAN INAUGURATION SPEECH
True to form, Trump’s first address as president was rife with misinformation.



If the Republican Party’s reflexive distain for eggheads and elites found its purest expression in the nomination of a former reality-TV star for president, Donald Trump’s inauguration address Friday was its crowning achievement. A dark, raw, populist dirge, Trump’s speech was the ultimate middle finger to Washington’s elite, a full-frontal attack on Republicans and Democrats alike for transforming America into a broken-down, post-industrial wasteland where “rusted-out factories” are “scattered like tombstones,” and where “the crime and the gangs and the drugs” bleed the nation’s children of their “unrealized potential.”

Needless to say, Trump’s rage-filled, “America First” battle cry was also filled with half-truths and misinformation, to say nothing of tired clichés. Here, we’ve chronicled the worst of Trump’s hyperbole and mistruths from an otherwise platitudinous campaign-style speech. (...)


Uma treta, isto.

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A Estátua de Sal tem alguma razão: o mundo real não é cor-de-rosa, e os States estão longe de ser um espaço de progresso e desenvolvimento para todos. 

Mas. 

Mas também não são o far west que o Trump descreveu, a terra de ninguém que, estando ao deus-dará é alvo de todas as investidas por parte de quem queira atacar ou explorar os americanos. Essa não. Calma aí.


sexta-feira, janeiro 20, 2017

Mr. Trump -- Day one



E não sou eu de lá; faria se fosse. Incomodada. Incomodada mesmo. Dá vontade de tentar tudo por tudo para que este pesadelo acabe antes que o pesadelo acabe connosco.

Não é que, aqui ou ali, ele não tenha uma ou outra ideia assim-assim. Só que não apenas isso é raro como, mesmo nesses casos, é pelos motivos errados e corre-se o risco de que a emenda seja pior que o soneto.

Com a filha Ivanka
De facto, por muito que algumas almas penadas queiram antever virtudes na eleição de cavalgaduras para a frente dos destinos dos povos, o que eu vejo são riscos, períodos negros, a anti-matéria a devorar tudo em que toca.

O que leva as gentes que votam a escolherem aqueles que mais os prejudicarão é algo que me perturba. Mas a comunicação social atrofiante, uma indústria de entretenimento que apenas valoriza a sacanagem e o vale-tudo, as redes sociais que embotam o raciocínio de quem delas faz a sua fonte de informação, tudo isso leva a este estado mental generalizado. Cegueira colectiva, a tal cegueira branca que contagia -- talvez seja isso.

Com a actual mulher Melania
Não sou socióloga, antropóloga, psicóloga. Faltam-me as bases teóricas para poder entender fenómenos como estes. Já por cá nunca percebi como é que tanta gente se deixou enganar por um destituído como Láparo. Sem a preparação mínima para a função, sem intelecto que o ajudasse a ultrapassar os obstáculos, sem bom senso, sem conhecimento fosse do que fosse -- eu interrogava-me como era possível. E, ainda hoje, me interrogo sempre que vejo que cerca de 30% dos eleitores ainda daria o seu voto a uma pessoa relativamente à qual já está provado à saciedade que só fez mal aos portugueses (e a Portugal, ouviu Montenegro?).

E se isto se passa cá, num país que supostamente tem história, identidade nacional, uma cultura razoável, imagine-se nos Estados Unidos em que aquilo é uma manta de retalhos, cada qual de sua nação, uns muito ricos, outros muito pobres, outros incultos, outros isolacionistas, outros vidrados em armas e outros em petróleo, e que se lixe o clima e todas essas frioleiras.

A democracia encerra em si este perigo: o de devorar os seus melhores e ficarem no poder os algozes, os maníacos, os palhaços.

Neste momento, se há voto que possa formular é este: que o anormal que está prestes a tomar posse não dê cabo da vida de muita gente e não envergonhe os americanos.

Para já, era bom que não cumprisse parte das suas estúpidas promessas.

Donald Trump's promises for day one of his presidency



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E queiram seguir, por favor, para o post abaixo. Mete Trump mas mete, sobretudo, The Boss em dois momentos que dizem muito dele.

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Não é The Boss quem quer


Transcrevo tal qual recebi:

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Isto está muito giro. 

Durante um concerto na Alemanha um fã pediu a música "you never can tell" que não fazia parte do alinhamento e ele já não tocava há anos (fazia parte da banda sonora do pulp fiction).

O resultado é muito engraçado! E o guitarrista da fita na cabeça que está ao pé do bruce é ator dos sopranos 😁 
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Vejam, por favor.

Bruce Springsteen - You Never Can Tell



E, já agora, um outro que também acho uma ternura:

Bruce Springsteen - Save The Last Dance For Me





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Isto no dia em que é notícia:

Bruce Springsteen Needled Trump Fans Further by Giving the Obamas a Private Concert


Not even a Springsteen cover band will appear during Trump’s inauguration festivities, for fear of disappointing Bruce — but the man himself was more than happy to perform for the outgoing president. (...)


E isto numa altura em que parece que, não arranjando muitas mais que queiram dançar com ele no baile da tomada de posse, o palhaço irá dançar com Caitlyn Jenner

Does Donald Trump Think Dancing with Caitlyn Jenner Will Get L.G.B.T. People to Like Him?




Caitlyn Jenner, reality star and transgender activist, might get a moment in the spotlight with incoming president Donald Trump at his inauguration. Page Six reports that Trump’s advisers have suggested he take a turn on the dance floor with Jenner for the photo-op.




An anonymous source only identified as a Republican “member of the incoming administration,” said, “The image of Trump dancing with Caitlyn would send a strong message that he supports gay rights and trans rights. A picture is worth a thousand tweets.” (...)




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quinta-feira, janeiro 19, 2017

O que tentam dizer as árvores




Se souberes o que dizem as árvores, talvez aprendas a dar sombra para que encostado ao teu corpo adormeça o animal cansado, e nos teus braços pousem aves cujo canto replicarás com frutos, tu já metamorfoseado no vital conhecimento da resina, da cortiça, das folhas caídas como células onde poderemos encontrar, assim tenhamos ciência para tal, a raiz que nos expulsou do paraíso. (...)


(...) Talvez se souberes o que dizem as árvores saibas também dizer vento, afagando a brisa com o pólen da flor que surde majestosa na ponte de cada um dos dedos inúmeros que uma árvore oculta. Tronco onde um dia cinzelámos o verso da única medalha que alguma vez nos foi atribuída, não por mérito nem por singela participação, mas por esforço em nos mantermos de pé e verticais como a árvore ensina.


O que tentam dizer as árvores
No seu silêncio lento e nos seus vagos rumores, 
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverência, a ressonância, a transparência, 
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve
integridade. 
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes. 
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus 
ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.




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A música lá em cima é Dream de Turlough O'Carolan

Em prosa, parte do texto de hmbf, autor de Antologia do Esquecimento.

O poema (escrito) das árvores é de António Ramos Rosa

O poema lido por Tom O'Bedlam é "The Trees" de Philip Larkin

As fotografias de árvores são minhas e foram feitas este fim-de-semana.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um dia mesmo bom.

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quarta-feira, janeiro 18, 2017

A tomada de posse de Trump.
Como será?
Uma coisa na base do showbiz com a FLOTUS em underwear (já que não há alma caridosa que queira vesti-la)?


Custa a crer que vá acontecer. Sorte macaca. Uma pessoa não está preparada para tanta maluqueira. Parece anedota. 
Devia estar calejada, tantas as obscenidades a que assisti nos tempos do ressabiado destrambelhado, de cognome O Láparo. Bolas, então não devia? Mas a verdade é que não estou.

Enquanto escrevo, vejo a putativa engraçadinha Cristas, na Assembleia, em mais um momendo triste e o doido varrido do Láparo, a rir desgovernadamente, a dizer bacoradas, a pôr-se a jeito para António Costa lhe aplicar o justo correctivo.


Então, eu não devia estar careca de saber que macacadas na política acontecem, que o impensável volta e meiaestá aí para provar que a lógica pode muito bem ser uma batata...?

Pois devia. Mas, repito, não estou. Aquele pato palhaço que dá pelo nome de Donald Trump vai ser presidente dos Estados Unidos...?


A sério, poupem-me. 

The New Yorker
Semana da Tomada de Posse


Inaugurating PEZ-ident Mankoff | The New Yorker | The Cartoon Lounge





E a Melania, a futura Primeira Dama, a quem todos os costureiros conhecidos recusam vestir por dizerem que não querem que as suas linhas de vestuário possam ser associadas a tal pessoa (ou à mulher de tão desqualificado presidente)...? Que coisa mais triste.


10 fotos emblemáticas de Melania Trump, a que está quase a tornar-se a nova FLOTUS



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Ou seja: pleeeeeaaase, alguém faça a caridade que se impõe, ok?


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E queiram descer, por favor, para verem se descobrem o que dizem as assinaturas dos membros da Concertação Social. Não é preciso saber muito de Grafologia para o descobrir.

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As assinaturas dos 'parceiros' que, em sede de Concertação Social, fecharam o acordo que o Passos Coelho quer estourar ao lado do PCP e do BE
[E o quanto eu teria a dizer sobre cada um a partir do que ali vejo]


Num ano feliz, durante uns meses felizes, creio que uma vez por semana (à terça-feira?), eu saía do trabalho um pouco mais cedo -- tinha que contar que houvesse trânsito e, sobretudo, queria garantir que tinha tempo para dar uma voltinha no Chiado -- e ia ter aulas de Grafologia.

Já falei nisso várias vezes. Era no Centro Nacional de Cultura, edifício muito bonito, e o professor era o amoroso e fascinante Alberto Vaz da Silva. Aquelas aulas eram uma viagem pelas suas memórias, pelas suas opiniões e ia ensinando a interpretar a forma de escrita. Não tem a ver com a letra ser ou não bonita mas com a forma como se escreve (a pressão que se põe na escrita, os espaçamentos, a inclinação, as margens). 


Como ele ainda usava slides e um projector à antiga, a sala estava à meia luz. Todo o ambiente era fantástico.

Saía de lá às oito e tal da noite, passava pela Brasileira, encontrava o movimento do Chiado e depois vinha a conduzir pela noite lisboeta, geralmente ouvindo a Antena 2 e pensando no que ele tinha contado.

Do muito que aprendi com ele, registei que não se deve fazer uma análise só a partir de uma pequena amostra nem sequer só a partir da assinatura desligada do contexto pois o próprio sítio onde se escreve a assinatura, a comparação do tamanho da letra da assinatura em contraponto com o da letra do restante texto, tudo isso é fundamental.

Seja como for, mesmo que a análise possível seja curta, não deixa de ser possível.

Olho para a página com assinaturas que o ministro Vieira da Silva publicou noticiando que o acordo estava assinado, e o que vejo aqui é muito elucidativo. Porque não quero fazer análises públicas baseando-me em tua escassa amostragem, vou guardar o que vejo só para mim. Mas, digo-vos, está ali tanta coisa. Tanta.


A assinatura de Carlos Silva da UGT, então, é extraordinária. Sendo em tudo oposta, a de António Costa é também digna de registo. A de António Saraiva, à primeira vista, surpreendeu-me. Depois pensei melhor e deixou de me surpreender.



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Há quem não acredite em nada disto da Grafologia. Pensam que é discipina ao nível do tarot ou de outros esoterismos. Mas enganam-se. A Grafologia é do mais racional que há. Pode não ser possível demonstrar cientificamente o rigor das suas conclusões mas, se percebermos a raiz lógica das análises feitas, percebe-se o seu sentido. 

Já fiz inúmeras análises grafológicas e o que vos posso dizer é que não tenho ideia de algum dos analisados nao se ter revisto no que eu vi.

Volta e meia vejo coisas que me deixam completamente de pé atrás. Até um colega meu, pessoa racional e inteligente a toda a prova, volta e meia chama-se e pergunta-me: 'Olhe para isto. O que é que acha?' e eu olho e digo 'imaturo, gabarola e inconsistente'. E ele fica a olhar e diz 'bem me queria parecer'. Coisas assim. Ou 'mentiroso, não é de confiança, não interessa'. E ele, 'Pois, não me admira. Vou ter em consideração'.

(A assinatura do Marcelo...? Está lá tudo.)


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Para quem não teve o privilégio de o conhecer

Alberto Vaz Silva: decifrador de pessoas



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[Não estranhem, por favor, que eu não responda a comentários ou a mails. Por razões que agora não vêm ao caso, chego aqui à sala e, porque não quero agarrar-me ao computador, tento pôr-me no sofá a ver televisão. Só que, instantes depois, estou a dormir. A dormir a sono solto. Depois, quando acordo, ainda estou tão pedrada que já não dou uma para a caixa. A todos quantos podem pensar que é falta de educação ou de interesse, peço desculpa. Mas não me é possível fazer mais do que isto.]


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terça-feira, janeiro 17, 2017

Velhas bibliotecas


Alguma vez haveria de acontecer. Eu a querer escrever e o sono a tomar conta de mim. O meu dia também foi do além, mais do que razões para chegar aqui e cair para o lado. Fogo, nem sei é como ainda não caí a dormir de vez.

As minhas intenções eram as melhores mas a verdade é que caio a dormir de minuto a minuto. Não é a primeira vez mas acho que é a mais definitiva.

Os meninos há muito que dormem e também muito admiro a resitência deles. A mãe dos meninos saíu da sala ha pouco para recolher aos seus aposenos e se calhar, a esta hora, está a ler.

Os telefonemas estão todos feitos. Melhor fora que a esta hora ainda estivesse com telefonemas. Não, por volta das oitro e picos está feita a ronda familiar.

Ando com ideia de escrever sobre bibliotecas velhas mas adormeço antes de lá chegar.

Por isso, para me precaver, ponho já aqui um pequeno vídeo::


E o link que abre para um mundo novo (apesar de bem velho)


Ôde aux vieilles bibliothèques



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segunda-feira, janeiro 16, 2017

Amanhã





Por estes dias terei que me deitar mais cedo. Tenho cá uns queridos habitantes que alvorecem cedo e para os quais quero estar disponível caso seja necessário. Acresce que hoje estou com uma dor de cabeça que me tolda as mãos. Isso a somar à dor de garganta que já está reduzida mas que ainda existe. Podia tomar um comprimido mas já basta quando são indispensáveis. Estou desde o início da tarde a ver se passa por si mas não. Também tive de tarde a casa cheia e, como sempre, o mais pequeno fez uma extraordinária performance, alto e bom som. Tirando ele, também os outros não pouparam nos decibéis. Ora barulho e confusão é do melhor que há para quem está com uma estúpida enxaqueca.

Não me queixo e tento disfarçar para não quebrar a alegria dos demais mas o incómodo foi avançando em crescendo.


Agora, quando peguei no computador, de cada vez que escrevia qualquer coisa aparecia-me uma voz a dizer, em voz alta, o que eu estava a fazer. Se eu escolhia um endereço, a voz lia, letra por letra, o endereço. Tinha sido o mais novo que, durante a escassa fracção de tempo em que mexeu no computador, não estando eu aqui, instalou a funcionalidade de 'narrador' que eu nem sabia que existia. O pior foi dar com a maneira de fazer calar a senhora. Valeu-me a mãe do pequeno génio que lá conseguiu dispensar a linguaruda.

Agora o computador está estranho, muito lento, com um delay entre o momento em que digito e o momento em que aparece¨m as letras no ecrã. Deve ter mexido noutra coisa qualquer. O poder de distruição de uma criança de quatro anos é incomensurável, Já o primo, com uns três anos, uma vez, num ápice, apagou-me do telemóvel os contactos, as fotografias, as mensagens: tudo. 

Portanto, estou assim: sem condições.


Não sei de notícias. Não vi o telejornal nem prestei atenção a Marques Mendes que, por acaso, até estava em fundo enquanto jantávamos. Mas vi agora no DN que Marques Mendes, o garganta funda do regime, contou que Passos Coelho convidou José Euardo Moniz para canditado por Lisboa. Não sei a que propósito, deve ser por ser uma cara conhecida. Na volta, se o marido da Manela der uma nega, o láparo avança para o Goucha. E, se o Goucha falhar, a Teresa Guilherme. Tudo gente na qual o pessoal laranja se há-de rever fortemente. Marques Mendes terá dado a entender que o Passos é um catavento mas eu acho que não é isso, inclino-me para que seja simplesmente destituído. E não digo de quê para não acharem que é embirração minha, na volta ainda fruto da dor de cabeça. 


Mas a sério. Uma pobreza franciscana de ideias, este PSD. Nem se consegue dizer muito mais sobre isto. Dá dó.


Leio também que nos States a perplexidade perante a aleatoriedade de reacções do Trump vai alastrando. Gente mais experiente aconselha-o a deixar-de de tweets destemperados ou a medir melhor o que diz ou a forma como destrata a comunicação social que não lhe agrada. E leio que os europeus estão preocupados não vá aquele maluco ainda arranjar um trinta e um e desencadear-se, para aí uma nova guerra.

Não é abstrusa esta preocupação já que uma coisa é a gente saber que em lugares relevantes haverá sempre alguém mais inteligente ou ponderado que evitará que um maluco qualquer carregue no botão errado -- e outra coisa é os botões perigosos estarem cada vez mais nas mãos de gente doida.

Custa perceber como tantos séculos de civilização descambaram nisto que se vê: essa mole humana que dá pelo nome de povo parece ter ganho aversão às elites (leia-se, aos melhores) e, quando vai votar, escolhe os mais básicos, os mais impreparados, os que se apresentam como palhaços, como biltres, como canalhas.

Dir-se-á que foram os tais melhores que estragaram tudo. Contraporei que, na minha modesta opinião, não foi bem isso. As elites tendem a preocupar-se com assuntos supostamente importantes e, para além disso, tendem a ser generosas e tolerantes para com os mais fracos. E o que me parece que aconteceu foi que não prestaram garnde atenção ao populismo que tem vindo a propagar-se e, não apenas isso, como deixaram que esses tais demagodos fáceis pusessem o pé à porta, que entrassem, que se fossem instalando. Ora lutar contra muitos medíocres instalados é complicado. Quem não é medíocre tem dificuldade em baixar-se para se pôr ao nível dos que o são. E a mediocridade e o perigo que daí vem alastra, quase sem resistência, como uma mancha de óleo imparável.


Felizmente ainda há quem se levante e denuncie, alerte, informe. Pode dizer-se que é chorar sobre leite derramado, chover no molhado, trancas à porta depois da casa arrombada. Pois. Mas mais vale isso do que nada fazer.

Kate Perry produziu um vídeo que não passa indiferente e que chama a atenção para os riscos que aí vêm caso o maluco do Trump ponha em marcha o seu desvairado plano de acções.

Se o fizer, o mundo vai continuar a regredir mas a regredir para onde pensávamos serem tempos mortos e enterrados.

Quando eu era jovem e assistia à integração na União Europeia com a expectativa de quem achava estar a entrar num mundo mais progressita e mais moderno, pensava que o meu futuro ia ser um mar de rosas e que o dos meus filhos seria a terra do leite e do mel e que os filhos dos meus filhos viveriam diariamente  a possibilidade de cumprirem a sua vocação, de construirem a sua vida em prosperidade e segurança.

O amanhã era, então, para mim a promessa de um dia sempre melhor.

Gostava muito de voltar a ter essa esperança inocente e despreocupada. Gostava mesmo. E gostava de saber o que fazer para lutar por isso.


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E abaixo poderão ver o vídeo de que acima falei.

IS HISTORY REPEATING ITSELF?


President-elect Donald Trump promises a registry for all Muslim-Americans. This heart-rendering PSA from executive producer Katy Perry (via Mashable) draws the parallels between what Trump plans to do, and horrific national tragedy of Japanese internment camps.


Directed by Japanese-Australian filmmaker Aya Tanimura, it tells the story of 89-year-old Haru Kuromiya. Spoiler alert: In the end, there is a reveal that although Kuromiya's story is true, she's being played in the PSA by actress Hina Khan, in prosthetics.

Director Tanimura told the LA Times that they cast the Pakistani-born Muslim actress to draw the clear connection between what happened then, and what could very well happen again. She also took to Twitter to thank Katy Perry, and remind everyone not to normalize what is happening in this country.




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As fotografias que usei ao longo do texto são da autoria do fotógrafo francês Thierry Bornier.

A música lá em cima é Amanhã da União das Tribos.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

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domingo, janeiro 15, 2017

O Novo Banco e a irresponsabilidade de Clara Ferreira Alves


Isto há coisas... Tinha eu acabado de exorcizar o espírito maligno do láparo que por aqui pairava depois de lhe ter dado uma valente desanda e começava já a afiar os dedos para deitar mãos ao tema que me mobilizava, o das velhas bibliotecas, quando começa o Eixo do Mal. Animada como estava  -- a ver vídeos e a ler um execelentíssimo artigo que mão amiga me tinha feito chegar -- nem me ocorreu higienizar o ambiente, desligando a televisão ou procurando melhor opção.

Por essa altura, o meu marido, mais pragmático que eu, retirou-se para o quarto. E eu entreguei-me ao deleite da Ôde aux vieilles bibliothèques.

Mas hélas, a Senhor Doutora Superiormente Sabichona Clara Ferreira Alves começou a falar, e tão grandiloquentemente o fez que a minha atenção foi desviada para a sua prosápia, uma prosápia temperada com aqueles seus bem conhecidos salpicos de spleen.


Falavam do Novo Banco e a ilustre comentadeira, maçada com tanta conversa sobre o assunto, dizia que se devia era acabar com aquilo. Qual nacionalizar...? Implodir. 

Ouvi estarrecida a senhora. Olhei-a. A camisola tinha uns brilhantes e os olhinhos aquele ar enfadado de quem faz o frete de por ali arrastar o seu ar blasé. A banca nacional dá-lhe fastio, acha que já provámos que não sabemos gerir a banca nacional. Acabe-se com aquilo de vez, diz ela, até porque, continua, nem sabe bem o que é o Novo Banco. E acaba dizendo que aquele fundo que vai desmembrar tudo, o Lone Star, se calhar ainda é o melhor, se calhar faz-nos o favor de nos vermos livres do assunto de vez. 



Em tempos, quando olhava para ela como jornalista, eu até gostava de a ler. Depois foi-se tornando cada vez mais convencida. Faz tempo que deixei de ler o Expresso pelo que não sei o que tem andado ela a fazer. Mas, nos últimos tempos, as entrevistas dela a sumidades eram frequentemente uma coisa do género das do Casanova. Falam eles, exibem-se, mostram que são letrados, opinam, decidem, fazem comparações, e, de quando em vez, lá se dignam disponibilizar a deixa para que o entrevistado diga qualquer coisita. Pior ainda quando se tornou opinadora. Aí passámos a ver a facilidade com que opina sobre tudo, incluindo sobre o que não sabe. Vejo-a como um exemplo acabado do que é o populismo ao serviço do jornalismo. E no Eixo do Mal, frequentemente, uma seca: cansa de tão pedante e leviana que é. Sabe tudo, enfada-se até de repetir argumentos que já explanou tantas vezes, fala com veemência de assuntos que notoriamente conhece apenas pela rama -- e, com as suas actuações, consegue que, cá em casa, mudemos rapidamente de canal.


O que me choca é que quem, nas televisões, decide quem convidar para programas deste tipo, equaciona certamente quem consegue ser mais polémico, dizer sound bites, criar factos políticos, lançar atoardas que aticem as redes sociais, etc. E não equaciona o sentido de responsabilidade que veículos poderosos como as televisões devem ter em cada uma das suas escolhas.

Sabendo-se o indesmentível poder de influência que as televisões têm, apenas deveriam ser convidadas para opinar pessoas com uma respeitabilidade, estabilidade emocional, dignidade e rigor à prova de bala.

Mas, infelizmente, a opção é a oposta. Quanto mais destrambelhados, mais mentirosos, mais fúteis, mais ressabiados, mais pedantes, mais levianos, mais desbocados -- mais assento têm nas televisões. 

(E assim se destrói o jornalismo.)

Mas voltando ao Eixo do Mal. De facto, só uma pessoa irresponsável ou que esteja de má fé pode, como uma estonteante ligeireza, dizer que, para não cansar a beleza de quem tem que ouvir tantas vezes do mesmo assunto, mais vale acabar com um dos maiores bancos do país. 


Pode ser que o Eixo do Mal seja visto apenas por quatro bichos caretas, entre os quais me incluo e que, portanto, os riscos de uma afirmação destas seja mínimo. Tomara.


Começar a lançar a ideia de que se calhar o melhor é acabar com o Novo Banco é meio caminho andado para lançar o alarme social e daí até a uma corrida aos depósitos é uma pequena fracção de tempo.

Custa-me perceber que uma pessoa minimamente estruturada lance um disparate destes para o ar. Se eu a parafraseasse, podia dizer que, para não ter que estar a aturar tanta parvoíce, mais valia atirar uma destas molduras pesadas à televisão e destruí-la de vez. Ou melhor: que para não ter que a aturar, mais valia ir à Sic Notícias e acabar com a estação. Ou pagar a um mercenário para rebentar com ela.

Só que acabar com um banco, um banco como o Novo Banco, é bem mais grave que isso.


Só por preguiça é que não vou repescar o que escrevi na altura em que o patego do Carlos Costa do BdP e os aventureiros malucos do ex-governo resolveram implodir o BES. Contra quem, na altura, achava que Carlos Costa era o máximo e que criar um Banco Bom e vendê-lo em seis meses era do melhor que havia, clamei tão alto quanto a minha fraca voz o permitia que o Carlos Costa era uma nódoa, que a decisão de acabar com o BES era uma loucura sem explicação e que a ideia de que seria possível criar um banco e vendê-lo em seis meses era um delírio sem pés nem cabeça (admitia que seriam necessários uns dois anos).



Hoje mantenho. Não percebo como foi possível cometer, a céu aberto, o que me parece um crime inexplicável. Uma coisa seria sanear o BES, limpar o que estivesse mal, obrigá-lo a reconhecer imparidades, rever a carteira de crédito, rever os critérios de avaliação de risco, provavelmente correr com meia dúzia de cabotinos e/ou incompetentes, julgá-los se caso disso -- e outra, muito diferente, foi implodir com um grupo económico, espatifar com uma poderosa marca, enfraquecer ainda mais o frágil sistema financeiro português. De toda a porcaria que o Governo de Passos Coelho fez (e foi muita! oh se foi...) isto deve ter sido do pior, do mais absurdo que se poderia imaginar.


A partir daí, da implosão do BES, foi tudo mal feito: escolhas mal geridas para a gestão, a começar com Vítor Bento, uma pressão absurda na venda. Mais: chamar para vender o banco à trouxe-mouxe Sérgio Monteiro, um aventureiro que já na TAP tinha dado vários passos em falso e anunciar aos quatro ventos que o banco era para vender à pressão e de qualquer maneira, só pode revelar um problema mental ou má fé.


O resultado é o que se vê: quando se atira milho para a rua logo aparece, vindos sabe-se lá de onde, um grupo de pombos. Não aparecem águias, gaivotas, garças reais. Só pombos-ratos.

E é o que tem acontecido com o Novo Banco: chineses sabe-se lá com que solidez financeira, fundos de reputação duvidosa, gente que não dá garantias, que não quer pagar e que quer deixar o osso e só levar o lombo, e isto para depois o fatiar e passar a patacos. Um vexame que deveria fazer corar o Carlos Costa. Mas não faz. Não tem competência, nem brio, nem vergonha na cara. É outro que não dança nem sai da pista. Há que tempos que deveria ter dado o lugar a alguém responsável e competente.


Não posso dizer qual a melhor solução pois não conheço os pormenores das opreações nem as contas do banco. Mas sei dizer que a solução não passa por acabar com o Novo Banco nem por vendê-lo como se fosse uva mijona. O Novo Banco deve voltar a ser um grande banco. E se tiver que ser nacionalizado que o seja. Pode ser uma solução transitória; mas entre ficar nacionalizado ou ir parar às mãos de fundos abutres, de jogadores, de trapaceiros ou de homens sem rosto e mãos invisíveis mas untuosas, prefiro mil vezes que permaneça nacionalizado.

Não é só uma questão de princípio, é, sobretudo, uma questão de racionalidade.


Quando se desmorona um banco, a seguir caem vários outros edifícios. Veja-se o que aconteceu quando caíu o BES (quantas mais empresas caíram a seguir...? Podemos começar pela PT e ir por aí fora). 

Um banco é um edifício cujos alicerces são a confiança de quem lá põe o dinheiro mas é um edifício que dá suporte a todas as empresas e pessoas que lá pediram empréstimos e cujas tesourarias assentam também na confiança no cumprimento de compromissos. 

Estou a ser simplista. Mas o tema é tão complexo que só espero que as televisões percebam que não devem dar voz a irresponsáveis como Clara Ferreira Alves e outros que tanto têm contribuído para que os portugueses formem ideias erradas e andem à mercê de quem os queira manipular.

Sinceramente: começo a ficar verdadeiramente farta de tanta estupidez e irresponsabilidade. Caraças.


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E falei na Clara Ferreira Alves porque foi a ela que prestei mais atenção. Mas idêntica leviandade me pareceu ouvir ao Luís Pedro Nunes. Há temas que, pelo seu melindre, jamais poderiam ser levados a debate por parte de quem não faz ideia do que diz.



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E, com isto, já não consigo falar nas velhas bibliotecas. Já agora, mal por mal, se ainda não leram, convido-vos a descer para verem aquilo da malapata que o Láparo tem com a TSU


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Passos Coelho e a malapata da TSU
- ou "quem com a TSU mata, com a TSU morre"?



Há em Passos Coelho qualquer coisa que poderia ser trágico -- se ele tivesse dimensão para isso. Como não tem, a coisa nem é tragédia. É ópera bufa. Ou nem isso: é representação de aluno de fim de ano, teatrinho pindérico no ginásio da escola. E o láparo não passa do aluno com bom porte, boa figura, com voz bem posicionada mas que, coitado, não acerta uma deixa e, querendo improvisar, nem consegue ter graça nem desarrinca uma tirada inteligente.

Na verdade, o tempo tem provado aquilo que era mais do que evidente: Passos Coelho é a indigência intelectual (e moral) em forma de gente.

Tempos houve em que em volta dele cirandavam macacos de rabo pelado como Ângelo Correia ou ratas sábias como o ex-doutor Relvas. Davam-lhe as tácticas, cutucavam o animal para que não se atirasse para o mato sem cachorro. Enfim, tentavam que, pelo menos perante os distraídos, ele aparentasse ter perfil para a função.

Agora que esses, desde há muito, perceberam que o aluno nem à lei da bala lá ia, Passos Coelho está entregue à sua sorte. 

Como corte tem apenas aquela tropa fandanga que vemos quando as televisões o focam na Assembleia da República (geralmente rindo-se não à coelho mas à porco) ou que ainda dão a cara por ele nos televisivos balcões comentadeiros: um tal Hugo Soares, o Leitão Amaro, o Duarte Marques, o Miguel Morgado. Portanto, com a qualidade desta corte, imagine-se os conselhos que dali saem.


Tirando estes pobres coitados que para aí andam a nadar em seco, há ainda a Marilú, nefasta criatura cuja índole é sobejamente conhecida. Desde os tempos de toupeira, passando pelos tempos em que negociou ruinosos swaps, até aos mais recentes tempos em que a vimos, descarada, a dizer inverdades como quem se confessa ao padre, e a falhar uma por uma todas as metas, a meter os pés pelas mãos, a engraxar o ministro alemão como uma vulgar sabuja, e a seguir em frente de nariz arrebitado e sorrinho faceiro -- conhecemo-la bem, oh se a conhecemos. 

E, para que não restassem dúvidas, mal saíu do governo não perdeu tempo: foi, a correr, ganhar uns trocos para a Arrows -- uma empresa que faz favor... e que a foi buscar teoricamente não pelos seus inside conhecimentos mas pelo seu gabarito -- enquanto, para arredondar o cachet, se mantém na Assembleia a fingir que liga alguma coisa ao povo que a elegeu. E é esta madame, que qualquer líder partidário com dois dedos de testa manteria caladinha a ver se a gente se esquece dela, que volta e meia, para fazer prova de vida, se põe à frente dos microfones para continuar a fingir que percebe algum coisa de alguma coisa. Uma putativa figura de comédia, uma espécie de Ana Bola rabaluda e peixeirosa a armar-se em menina fina.

Portanto, sendo ele, Passos Coelho, tão limitado e estando rodeado por uma pandilha de fraco calibre, não é de estranhar que só cometa argoladas. Uma atrás de outra.

Quando em 2011 anunciou a ideia peregrina de aumentar a TSU dos empregados para a dar aos patrões, indo de seguida, lampeiro, cantar a gorge deployees para o teatro do Avillez, levando meio mundo para a rua, protestando perante tamanha animalidade, Passos Coelho não percebeu o que se passou. Percebeu só que tinha a ver com baixar a TSU dos empresários.

Agora, marimbando-se para a sua base de apoio (que terá muitos empresários, grandes e, sobretudo, pequenos e mal informados), ao ouvir falar em baixar a TSU nem deve ter pensado duas vezes. Não viu que era a moeda de troca da subida do salário mínimo nem quis saber do acordo obtido na Concertação Social. Nada. Armado em leão, diz que é contra. É como aquele de que ouvi falar no outro dia: diz que não sabe do que se está a falar mas que é contra. 


Com mais esta, a malta do PSD gelou. E imagino o Marcelo... deve estar com uma coceira dos diabos a congeminar como achincalhá-lo em público de uma maneira que possa depois dizer que até estava a alogiá-lo. Compreendo-o. Este láparo tira qualquer um do sério. 


A verdade é que, com mais esta calinada, se prepara para arranjar um caldinho com que nem ele sonha. Ou alguém arranja maneira de lhe tirar o tapete ou a coisa pode feder.

Passos Coelho não morreu politicamente na primeira vez que se meteu com a TSU. A ver vamos o que acontece desta vez.

Agora uma coisa é certa: como acima referi, as hostes laranjas andam nervosas. Não basta não haver estratégia autárquica ou candidatos decentes para as grandes cidades, como não há dia que passe que  criatura não cave mais o buraco onde o PSD se está a enterrar.

E vai continuar a cavar porque não percebe nada: nem percebe que há uma altura em que uma pessoa deve perceber que chegou a hora de se retirar, como não percebe que está a esfacelar o PSD. Não percebe. Nem percebe que não percebe. O cúmulo do inconseguimento percepcional. Uma desgraça. Passos Coelho só sairá do PSD à força.



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[As imagens provêm, como é bom de ver, do saudoso We Have Kaos in the Garden.]

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